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Piúma
é o maior produtor de artesanato de conchas do
Brasil. Cerca de 95% do artesanato em conchas
produzido e consumido no Brasil é de Piúma.
A
produção local de artesanato de conchas se perde
no tempo e é considerada uma herança da cultura
dos nativos das nações Purí e Tupiniquim, que
tinham suas aldeias na região. Os primeiros
colares eram de pequeninos búzios, chamados
“arrozinhos”, que até hoje são produzidos, e são
considerados os mais genuínos produtos do
artesanato local. E no bairro de Itaputanga, a
tradição é, desde tempos imemoriais, a produção de
um colar de sementes de linhaça, muito apreciados
pelos turistas.
Mas a
produção atualmente se sofisticou: os artesãos
locais importam matérias primas de diversas partes
do mundo. São produtos cerâmicos do Peru, búzios
de belas formas e cores da África, e pegoaris e
búzios da lama, milhares deles, comprados em
Salvador.
Alguns
produtores incorporaram couro, bambus, palhas,
ouro e prata e outras matérias primas, e o
resultado final é artesanato de alta qualidade,
vendido na melhores butiques do país e que
ilustram catálogo de lojas sofisticadas nos
grandes centros urbanos.
Um
artesanato rico e variado
A
produção de artesanato de Piúma cresce e se
sofistica. A produção principal é de colares,
divididos em três tipos: o de búzios arrozinho (o
mais antigo e autêntico produto piumense), os
colares de búzios da lama finos e os colares com
barrete (barrete é um conjunto colorido que forma
o centro do colar, geralmente enfeitado com búzios
maiores e pegoaris).
Mas há
muitos outros produtos artesanais. Dona Carmem, a
artesã pioneira, fazia o famoso cisne de conchas,
que se tornou quase um símbolo do artesanato
local. Baianinhas, caravelas, bibelôs, abajures,
cortinas, caixinhas de jóias, brincos, pulseiras,
pregadores de cabelo, tiaras - o artesanato de
conchas permite uma infinidade de variações
estéticas, que ganham prestígio pela habilidade
das mãos do criador, o artesão.
“A
beleza de uma peça depende do criador e do
acabamento”, diz Altair Santana, o Lili. Ele
garante que os bons criadores que tem um bom senso
estético são poucos. “Uma peça bem feita logo
começa a ser copiada”, diz.
A
aceitação do artesanato de conchas de Piúma é tão
grande que muitas cidades brasileiras vendem um
artesanato local com a inscrição de que é uma
lembrança da cidade, mas que, na realidade, foi
feito em…Piúma. Nessa situação estão todos os
objetos de conchas vendidos em Fortaleza,
Salvador, Rio e no litoral de São Paulo. Assim,
aquela formosa baianinha, que o turista europeu
compra com tanto prazer no Mercado Modelo, e leva
como uma lembrança de Salvador, é, na realidade,
uma peça artesanal habilmente confeccionada por um
artista de Piúma.
“Te
gusta el cojar de Piúma, señorita”
O
artesanato piumense corre o mundo. Todos os anos,
no verão, centenas de vendedores de artesanato,
que são chamados de ‘mangueadores’ saem pelo
mundo, com toneladas de objetos de conchas, que
vão ser vendidos no Rio, São Paulo, Santa
Catarina, Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina e
Chile.
Os
mangueadores alugam casas quando estão em grupos,
instalam barracas em campings. Alguns fizeram
curso de espanhol, e já sabem entabular uma boa
conversa no idioma dos vizinhos latinoamericanos.
É comum, nas praias do Chile, ouvir-se um
mangueador abrir um sorriso para a mulher deitada
na areia e disparar: “Te gusta el cojar de Piúma,
señorita?”
Como
tudo começou
A
tradição familiar na confecção de pequenos colares
de búzios arrozinhos e de sementes de
linhaça é uma herança dos índios purís e
tupiniquins, que gostavam de se enfeitar para suas
festas cerimoniais. Na era moderna, as primeiras
artesãs a confeccionarem colares e bibelôs com
objetivos de comercialização foram dona Carmem
Muniz Guimarães e dona Adelaide Germano, na década
de 60. Dona Carmen morreu, e seu busto virou
monumento em Piúma, na praça que tem o seu
nome.
Na
década de 70, Altair Santana (o Lili)
entrou no processo de fabricação e estabeleceu uma
pequena lojinha no centro de Piúma. Lili garante
que foi a partir dessa lojinha que o negócio
começou a se expandir. “Um cliente do Rio levou
algumas peças e vendeu lá. Depois voltou e
encomendou uma grande quantidade”, diz. A partir
daí, segundo Lili, a comercialização de artesanato
de conchas não parou mais. Vieram clientes de
outras praças, de São Paulo, de Salvador,
Fortaleza e Recife.
Com o
aumento das vendas, começou um outro processo: os
vendedores de artesanato começaram a ir vender em
outras cidades. Gradualmente, os
mangueadores como são chamados os
vendedores de artesanato) cobriram praticamente
todo o território brasileiro, indo parar até na
Argentina, Chile, Venezuela, Portugal e Espanha.
Hoje, o artesanato de conchas de Piúma corre o
mundo.
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